ANÁLISIS: Agrande final (Especial Paulo Dutra escritor brasileño)

Tudo pronto para a grande final da Copa América 2019 e o Brasil ganhou, sagrou-se campeão, e a nação brasileira foi dormir o sono dos justos e dos vitoriosos. Duvido que na atual conjuntura política alguém ainda creia que tal frase seja adequada. Mas o Brasil ganhou num mineirão aparentemente lotado, e, noves fora os torcedores argentinos, um mineirão, ainda assim, lotado de caras-pálidas (quanto será que custava o ingresso? A pergunta é retórica). Os jogadores se perfilam para o hinos nacionais e a câmera vagueia pelas arquibancadas e capta um torcedor argentino chorando durante a execução do hino. Será de emoção ou de vergonha? Faço uma busca, encontro a letra do hino e concluo que é de emoção porque não tem nada de que se envergonhar na letra do hino. Hino Nacional brasileiro. A câmera agora captura o choro de um torcedor brasileiro. Será de emoção ou de vergonha que chora o cara-pálida? Afinal de contas na frente dos jogadores de tez escura somente há meninos e meninas de pele clara (viva o país dos contrastes!) o presidente está no estádio e do seu lado o escroto (perdoem o substantivo tão forte caras leitoras e caros leitores, mas não é momento para eufemismos), arremedo de ministro (esses sim, os adjetivos), que fala inglês e ainda assim, ou por isso mesmo, só fala merda (prometo que é o último vocábulo de baixo calão), se tivesse vergonha, seria de vergonha que chora o torcedor tupiniquim. 

O juiz apita e, devido àquela que seja talvez a mais idiota entre as novas regras, mas que ao mesmo tempo reflete o futebol moderno, a bola rola para trás em vez de para frente. Imagino aqui a reação do compadre Carlos Gallego. Alguns instantes depois a Argentina toma a bola na intermediária do Brasil e a jogada se conclui nos pés do goleiro Argentino (sim, foi isso mesmo que vocês acabaram de ler). E como sou brasileiro aqui tenho que demonstrar minha imparcialidade. Não é culpa da Argentina. Eu tenho para mim que outra mudança, que tem a ver com a diminuição do campo, é a vilã nessa historia. Aos poucos, depois que Firmino perde um gol em impedimento (o que é um agravante) a Argentina começa a tomar o controle do jogo após aguentar a pressão inicial da seleção brasileira. Só que o tamanho do campo não ajuda. O que em teoria transformaria o futebol em um esporte mais rápido, bla, bla, bla, na prática criou um bolo compacto de jogadores lutando por espaços que não existem, batendo cabeças, até o momento em que um deles falha e a bola sobra limpa e mais perto do gol. O futebol de hoje se resume a isso. Nessa partida especificamente, a finta, a jogada de efeito, o lençol, a jogada individual, coisas que costumavam ser corriqueiras, foram decisivas para que se encontrasse um ou outro espaço no embolado jogo de futebol moderno porque de fato, e lei da física, dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço e suponho que um corpo não possa ocupar dois lugares no espaço ao mesmo tempo. Foi assim que o argentino, ao arriscar uma jogada dessas, viu sua equipe ser vítima de imediato contragolpe regado a lençol, tabela e gol. Tudo isso porque se achou um espaço que o toque de bola, pra lá e pra cá, não proporciona. Bom o jogo não foi, mas o que eu vi foi duas equipes jogando e tentando fazer o gol que, pro Brasil, saiu duas vezes e, que, para a Argentina não saiu nenhuma vez, já que bola na trave não altera o placar. E o Brasil foi campeão em um jogo sem VAR. 

Sim, o Brasil foi campeão naquele dia porque essa Copa América foi como um campeonato de pontos corridos, quando, a uma rodada da derradeira, o time que lidera a competição vence a única equipe que matematicamente poderia alcança-lo e somente cumpre tabela no jogo seguinte. Ou alguém de fato achou que a final foi esse jogo patético de uma seleção brasileira com freio-de-mão puxado contra uma equipe, sem querer desmerecer o esforço da seleção peruana, que não teve culpa de que os chilenos vieram ao Brasil, merecidamente, passear e curar, em grande estilo, diga-se de passagem, a ressaca dos festejos das duas últimas edições da Copa América, e em o que juiz marcou dois pênaltis inexistentes mesmo depois de olhar o VAR?